segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

2014, Jan. 9 - A questão de Olivença

Ciclo de «Banalidades» 

no 

IFICT/SANTIAGO ALQUIMISTA

Sala  Hamlet - 2014, Janeiro, 9 


“A  QUESTÃO  DE  OLIVENÇA”




 por  



ANTÓNIO SALGADO






Adolfo Gutkin dá as boas vindas a António Salgado e aos participantes na primeira conferência do ano expressando a convicção de que o novo ano será um período de esperança, alegria e realizações...!!! 
(as fisionomias dos oradores ilustram bem essa convicção) 
Gutkin salientou, ainda, a entrada no quinto ano das "Banalidades", o que na perspectiva de "Bolonha" lhes confere, já, o mestrado...



António Salgado, antigo magistrado do Ministério Público (Procurador-Geral Adjunto jubilado) veio falar de um tema a que se dedicou fora da sua área profissional mas que lhe desperta o maior interesse



A querela em análise refere-se à reivindicação por Portugal da soberania a que tem direito sobre Olivença, um território de 750 km2 na margem esquerda do Guadiana (cerca de 50 km de fronteira ribeirinha), território que Espanha não devolve.





Olivença é portuguesa desde o séc. XIII (1295) pelo tratado de Alcanizes 
entre D. Dinis e Fernando IV de Castela.
Em 1801, na chamada "guerra das laranjas", Espanha e França invadem o nosso País violam a fronteira do Alentejo e ocupam Olivença cedida sem honra pelas tropas portuguesas, mal preparadas, comandadas pelo Duque de Lafões (85 anos). Na sequência dessa ocupação, no Tratado de Badajoz (Junho de 1801), Portugal reconhece a soberania espanhola sobre esse território. Este tratado é posteriormente contestado pois é assinado sob a ameaça da invasão das tropas francesas que pretendiam o fecho dos portos portugueses aos navios ingleses. A invasão, em 1807, do nosso País pelas tropas francesas e espanholas levam à transferência do governo de Portugal para o Brasil e provoca a anulação do tratado de paz de Badajoz que estipulava que a violação de qualquer das suas cláusulas teria esse efeito.


Assim, em 1808, o Príncipe Regente D. João repudia  no Rio de Janeiro o tratado de Badajoz.



É também em 1808 que os ingleses decidem apoiar Portugal na defesa do seu território enviando tropas comandadas pelo general Wellesley, futuro Duque de Wellington.


Em Abril de 1811, as tropas portuguesas reconquistam a praça de Olivença mas inexplicavelmente o marechal Beresford (general em chefe do exército português) manda entregar de novo Olivença às autoridades espanholas...



Finalmente, em 1814, pelo tratado de Paris é declarado nulo o tratado de Badajoz de 1801 e em 1815, graças à habilidade política do Duque de Palmela,  o Congresso de Viena inclui na sua acta final  o artº 105º reconhecendo os direitos de Portugal sobre o território de Olivença, numa fórmula diplomática de duvidoso efeito prático. 







A estratégia da coroa portuguesa de expansão dos seus territórios no Brasil, designadamente a Sul nos territórios que vieram a constituir o Uruguai,  proporciona a Espanha novos pretextos para sustentar a ocupação e Olivença 







Apesar da situação de facto, Portugal nunca reconheceu a perda do direito sobre o território. Nos anos 90 do século passado, é decidida a construção de nova ponte a jusante da antiga mas a contribuição portuguesa é assegurada pelo município de Elvas não sendo, assim, considerada ponte internacional.




Seguiu-se o debate em que se levantaram questões interessantes, como o sentido da opinião dos oliventinos sobre a querela



...a similitude deste caso com o de Gibraltar...




...ou com a questão das Malvinas...



...o cuidado a ter com eventuais "espiões" entre a assistência...



...a importância de levar sinais da cultura portuguesa a Olivença
 fazendo "renascer" o orgulho pelas origens portuguesas...







...e enfim, qual será o ponto de vista espanhol sobre a questão?


No final, houve consenso para a organização de uma 
visita da tertúlia das "Banalidades" a Olivença...!





***

Seguiu-se um momento artístico

com poemas  de

  Federico  Garcia  Lorca



ditos por  


PAULA FREITAS & JOSÉ GIL  
  





 Gil lendo "A casada infiel"




"Se as minhas mãos pudessem desfolhar a lua"



"Às vezes"




"Tenho medo de perder a maravilha"


***

 A terminar, o saudável  convívio  à  volta  da  mesa  recheada  das  iguarias  que  os tertulianos  amigos  trazem



















Ooopppsss...!!! Relógio fora do contexto...quem lhe dará corda?










Gil a preparar-se para a nova sessão das "Banalidades"...
(A História da Massagem, por Fernando Santos, 23 Janeiro)


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Venha e participe nas "BANALIDADES"!
 


domingo, 22 de dezembro de 2013

2013, Dez. 19 - As Revoluções Árabes

IFICT/SANTIAGO ALQUIMISTA

19  de  Dezembro 2013
  
«Banalidades»  na Sala  Hamlet

 “AS  REVOLUÇÕES  ÁRABES” 

por  

JOSÉ CARLOS DA SILVA PEREIRA

***


O aliciante "cartaz do dia"



Preparativos da "mesa d'iguarias"



Adolfo Gutkin apresenta José Carlos da Silva Pereira, o orador da noite



Gutkin lembra que em anterior conferência, há cerca de três anos, o orador falou também sobre o mundo árabe  (Integrismo Islâmico - 20 de Janeiro 2011) antecedendo as revoluções árabes desencadeadas nessa altura 



A sala Hamlet sob "efeitos especiais"








Desde que se iniciou o processo da "primavera árabe" 
o mundo tornou-se mais "ilegível"



Ficou a esperança de que, tal como a outra antecedeu o processo das revoluções, esta conferência venha a ser o prenúncio de um período de paz no mundo árabe...


Tem sido destacado pela comunicação social o papel das novas tecnologias e redes sociais nas revoluções árabes mas, para José Carlos Silva Pereira, o fundamental foi a chegada ao poder do "Islão político"



A actual situação no mundo árabe deve ser analisada não como uma fotografia  mas como cena de um filme que faz parte de um processo



Nesse processo podem salientar-se quatro passos fundamentais: a expedição de Napoleão ao Egipto (1798); o renascimento árabe; o ressurgimento islâmico; as revoluções árabes.



A armada de Napoleão era acompanhada de dezenas de eruditos que originaram uma verdadeira perturbação civilizacional naquele país, decisiva na sua evolução social e política assumindo novos conceitos, como o de Estado/Nação e abrindo-lhe as portas da Europa.



Em meados do séc. XIX inicia-se nova fase com o "Renascimento árabe", altura em que nascem os "Irmãos Muçulmanos" que nunca se consideraram partido político mas uma associação para apoio dos desfavorecidos



Com a criação do Estado de Israel, em 1948,  termina o denominado Renascimento árabe.
Surge mais tarde, nos anos 60/70, o Ressurgimento islâmico, que pode corresponder à Reforma protestante no mundo católico e que advoga o retorno a uma forma mais pura e exigente da religião, ao uso das vestes islâmicas e à procura da identidade islâmica em contraponto à civilização ocidental



As revoluções árabes surgem como a resposta popular aos regimes de ditadura em diversos países. 
Trata-se de uma imensa manifestação de "hogra", termo que exprime 
a impotência do indivíduo perante a agressão do Estado


Tunísia, Líbia, Egipto e Iémene foram palco de revoluções; até agora só no Egipto se redigiu nova Constituição mas a situação está longe de poder ser considerada estabilizada





Que evolução se pode esperar? Dificilmente se pode definir uma via de evolução face aos diversos tipos de clivagem nestas sociedades: sunitas/xiitas; Identidade política/islamismo; urbana/rural


A força destas contradições não deixa prever um futuro muito pacífico...
Ao contrário dos asiáticos que procuram afirmar-se pela economia,
 os árabes tentam afirmar-se pela religião



Mas, tal como a evolução económica não pode ser sempre a dois dígitos,
também a evolução religiosa terá de "abrandar" no futuro.
Curioso o novo conceito misto de democracia e ditadura, a "democratura"...



Seguiu-se o habitual debate













***
Seguiu-se 

momento artístico com

" TEATROVA" – Paula  Freitas  &  Carlos  Gutkin 


Paula Freitas acompanhada à guitarra clássica por Carlos Gutkin (TEATROVA) 
disse poemas tradicionais árabes  









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Por fim,  o  habitual  convívio  
à  volta  da  mesa  d’iguarias







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